New Beginnings
Eespero um dia tocar assim:
Eespero um dia tocar assim:
“Quero me encontrar, mas não sei onde estou
Vem comigo procurar algum lugar mais calmo
Longe dessa confusão e dessa gente que não se respeita
Tenho quase certeza que eu não sou daqui
Acho que gosto de São Paulo
Gosto de São João
Gosto de São Francisco e São Sebastião
E eu gosto de meninos e meninas
Vai ver que é assim mesmo e vai ser assim pra sempre
Vai ficando complicado e ao mesmo tempo diferente
Estou cansado de bater e ninguém abrir
Você me deixou sentindo tanto frio
Não sei mais o que dizer
Te fiz comida, velei teu sono
Fui teu amigo, te levei comigo
E me diz: pra mim o que é que ficou?
Me deixa ver como viver é bom
Não é a vida como está, e sim as coisas como são
Você não quis tentar me ajudar
Então, a culpa é de quem? A culpa é de quem?
Eu canto em português errado
Acho que o imperfeito não participa do passado
Troco as pessoas
Troco os pronomes
Preciso de oxigênio, preciso ter amigos
Preciso ter dinheiro, preciso de carinho
Acho que te amava, agora acho que te odeio
São tudo pequenas coisas e tudo deve passar
Acho que gosto de São Paulo
E gosto de São João
Gosto de São Francisco e São Sebastião
E eu gosto de meninos e meninas”
[ Legião Urbana ]
Se encolhia, queria voltar ao que era, porém foi e não voltou. Não havia mais volta. Aquilo que uma vez foi ultrapassado não poderia ser mais costurado. Uma mente aberta nunca mais voltaria a sua forma inicial. Não poderia mais se fechar ao mundo, ele estava ali para ser olhado e vivido, não mais para ser temido. Se machuca? Machuca, sempre machucou, sempre machucará e às vezes nem se curará, porém será que é por isso que não vai mais arriscar? Com tanta coisa para conhecer? Bobagem perder os dias por medo, bobagem carregar essas dúvidas. Mesmo assim, se encolheu mais um pouco. “O mundo está aqui, mas daqui a pouco eu vou.”
Tudo ao seu tempo, amor.
Não posso mentir que abandonei esse barco, mesmo passado um tempo pensando e procurando textos para colocar aqui. Tentei inutilmente me expressar por letras os tantos sentimentos que me atormentaram e alegraram por esse mês que se passou, mas, os resultados não me satisfizeram e derrotada, desisti de continuar. Cheguei , então, na conclusão de que escrever não me é mais tão necessário como um dia foi. Isso não significa que as palavras não me são mais importantes, longe disso, sem elas não teria a força que tenho hoje, porém “antigamente” era muito mais fácil ficar sentada refletindo sobre o mundo e organizar um pensamento fino sobre as coisas mais variadas, hoje isso me é impossível. Ficar isolada escrevendo enquanto o lá fora o Sol está radiando, a revolução está chegando, as pessoas estão chamando, a alegria que contagia, as experiências de vida, o amor… Eu não consigo, eu não consigo. Meu tempo agora é o de aproveitar cada instante que me é permitido, cada lugar que posso chegar, cada sentimento aberto que me vêm, cada revolta, murmúrio… Eu quero de peito aberto abraçar todas essas voltas, estar por inteira no agora! Não pensar no depois e nem no antes. Viver! Alegremente, sem culpa, sem vergonha, sem medo. Eu quero estar na companhia de quem valorizo, eu quero encarar novos desafios, eu quero desbravar novos horizontes, conhecer novos sentimentos e isso tudo agora me é mais próximo do que jamais foi, então tenho agarrado com firmeza essas oportunidades!
Mas isso não me impede de sentir saudades daquela calmaria de escrever.
“O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração”
[ Fernando Pessoa ]
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